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Pai Pedro Miranda na FTU

Pai Pedro Miranda nas dependências da Ayom Records:
disposição, bom humor e espiritualidade

Texto: William de Ayrá (Obashanan) Fotos: Antônio Luz (Aratish) e Yatacyara (Vivian Lerner)

Pai Pedro desce do carro cantando quando chega do aeroporto, trazido por nosso irmão Ivanildo o Aratiara, um dos alabês da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino. Nada de bagagem, apenas sua bengala e um saquinho com seus documentos. No pescoço uma guia de Exu cruzada com Omulu, seu orixá, guia essa que ganhou do Exu Sr. Capa Preta, quando veio à FTU pela primeira vez. “Eu nunca a tiro do pescoço.” – nos disse quando da sessão de gravação na Cabana de Pai Omulu no Rio. “A coloco sempre ao lado da minha cama quando vou dormir. É minha companheira!”
Mesmo para quem já o conhece é surpreendente sua disposição e no que pese sua idade, parece que a vivência por quase oito décadas convivendo com milhares de terreiros por esse Brasil afora em nada afetaram sua alegria e sua fé nas coisas da “Banda”.
Cara, ele cantou o caminho inteiro!”, diz Aratiara, me olhando com o mesmo espanto que tive quando conheci Pai Pedro Miranda nas dependências da FTU. Um misto de alegria e respeito, pois aqueles pontos trazem importantíssimas informações do passado do Movimento Umbandista, que afinal de contas estavam se perdendo e assim como eu, Aratiara é um amante dos cânticos e invocações das religiões brasileiras. “É que ele é um mestre que ensina cantando…” respondi, correndo para abrir a porta da sede da Ayom Records para Pai Pedro ir descansar. Ao entrar, seu vozeirão já emendou um ponto bem antigo de saudação: “Quando nessa casa entrei, eu louvei a cumeeira, eu louvei dono da casa, eu louvei família inteira…” Eu sabia que não haviam intenções rituais em seu canto, mas como a voz tem axé, vai saber… sua louvação estava mais que bem vinda.

Emocionados todos aplaudiam Pai Pedro de pé ao final de cada ponto
Sentou-se à mesa e pediu um copo d’água. Só. Homem simples, Pai Pedro não se interessa por grandes festejos e honrarias. Mas gosta de uma prosa e iniciamos uma conversa bem longa sobre a Umbanda do passado, seus personagens e suas curiosidades, enquanto preparávamos o almoço. Toca o celular, é um dos seus filhos de santo, o Renato, que estava a caminho, ele e mais três vinham do Rio de Janeiro de carro. Parecia preocupado. Digo-lhe que Pai Pedro está bem e corro para atender agora a campainha, consciente de que hoje em dia somos escravos de ruídos eletrônicos. Era Hilário Bispo, o Babal’Arena, que vinha entrevistar Pai Pedro para seu blogue. Já de cara se afinizaram, dois batutas bons de papo, umas três horas de conversa gravada (que em breve disponibilizaremos aqui no Ayom) que não foi interrompida nem com a carne de panela com arroz e feijão.
Entre uma lembrança e outra, Pai Pedro cantava sempre um ponto que havia ouvido num terreiro aqui, noutro ali e com sua memória excepcional lembrava-se dos fatos com uma riqueza de detalhes impressionante, desde o nome dos envolvidos até o endereço dos terreiros em questão. Contou-nos histórias incríveis dos tempos de Pai Zélio de Morais, da fundação da Tenda São Jorge, e de outros personagens importantíssimos para o povo do santo, tais como Pai Tancredo da Silva Pinto, Pai Joãozinho da Gomeia, Pai Matta e Silva e muitos outros eventos tais como a incrível manifestação do Exu Sete da Lira, um marco na história da religiosidade brasileira, que em breve também contaremos aqui. E sempre, claro, lembrando pontos cantados, de raiz e de louvação.
Os alabês da FTU e da Cabana de Mestre Omulu, juntos,
acompanhando Pai Pedro Miranda
 
Depois de quase uma centena de cafezinhos e muitas cachimbadas, em meio a risadas e boas lembranças, nos dirigimos para a FTU, onde quase trezentas pessoas aguardavam ansiosamente a sua presença. Ao ser anunciado, Pai Pedro fêz uma quase-prece de abertura, louvando a todos os Orixás, guias e protetores de nossa Umbanda e pedindo permissão para que ele pudesse cantar suas invocações e louvações naquele espaço sagrado.
 
Trezentas pessoas se aglomeraram para ver Pai Pedro Miranda
na Faculdade de Teologia Umbandista
Então, surpresa, o que se viu foi a presença de um artista extremamente profissional, com perfeita consciência de espaço e de um carisma com o público só visto em grandes cantores. Se a FTU pretende aproximar os saberes acadêmicos dos tradicionais, a apresentação de Pai Pedro foi um grande exemplo da unidade que se pode conseguir neste quesito, quando o assunto é música.
Uma curiosidade, que exemplifica a impressionante memória de Pai Pedro Miranda é o fato de que em seu disco, duplo, podemos ouvir mais de quarenta cantigas. Pai Pedro cantou apenas três delas em sua apresentação, que durou duas horas. Todas os outros pontos apresentadas foram vindo na hora, “inéditos”, jamais gravados, cantigas antiqüíssimas, já completamente esquecidas e que foram relembrados facilmente por ele. Começou com pontos incríveis de Preto Velho. Num deles, repentinamente se empolgou, jogou a bengala para o cambone e saiu para o meio da galera, puxando uma roda onde todos dançaram extasiados.
 
Pai Pedro fez uma emocionante louvação aos Caboclos
Depois com uma saudação maravilhosa aos caboclos, mandou mais meia hora de pontos incríveis de nossos ancestrais da raça vermelha. A platéia era toda ouvidos. Muitos dos pontos eram clássicos da invocação umbandista e a maioria desconhecidos. Uma pausa de 15 minutos, Pai Pedro foi abraçado por Pai Rivas, que sempre aberto a todas as formas de Umbanda, ratificou o convite para que Pai Pedro comparecesse no I Congresso de Umbanda do Século XXI a ser realizado em novembro. Pai Pedro descansou um pouco e respondeu a perguntas de vários irmãos umbandistas, curiosos que estavam por conhecerem detalhes e curiosidades da Umbanda dos primeiros anos.
Pai Pedro encerrou o evento com pontos de Yemanjá e Xangô
 
Pai Pedro voltou cantando pontos de Yemanjá e de Xangô, regendo os alabês como faz um maestro com sua orquestra e numa emocionante despedida, saudou a corimba e os alabês e a todos os presentes. Finalizado o evento, o levamos para descansar, não sem antes ele cantar para alguns irmãos uns pontinhos de Omulu e de Boiadeiros. No dia seguinte, seguimos ao aeroporto, Pai Pedro como sempre alegre e disposto, brincando com os funcionários da empresa aérea. Ao nos despedirmos, ouvimos Pai Pedro de longe, cantando baixinho ao entrar no embarque: “…deixa a Umbanda melhorar… deixa a Umbanda melhorar…” Sim, senhores, que a Umbanda possa sempre melhorar, produzindo homens que se dedicam tanto a ela como Pai Pedro, este exemplo de ser humano e Umbandista, doando-se de alma, mais do que de corpo – como deve ser com quem chega a sua idade com vontade de trabalhar pela espiritualidade – atento à idéia sempre viva de que Umbanda é trabalho, fé, amor e caridade, mas acima de tudo Umbanda é alegria e felicidade.
Ayan Irê Ô!
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O Movimento Jovem Umbandista

O Movimento Jovem Umbandista

Matheus Zanon Figueira

Começo por destacar o preconceito que nós umbandistas sofremos no nosso dia-a-dia. As brincadeiras de colegas de trabalho, de familiares, de amigos…

A expressão de incredulidade quando expressamos sem vergonha a nossa religião. Sim, eu sou UMBANDISTA! E pronto. Logo começa o rebuliço. E as perguntas fluem.

Admito e concordo que muitas dessas dúvidas são comuns e até consideráveis, mas é cada coisa que se ouve…

E a que devemos toda essa falta de esclarecimento? Todas essas dúvidas que seriam tão fáceis de serem explicadas? A falta de estudo!

Muitos acham que ser Umbandista é só chegar no terreiro, incorporar e pronto. Cumpri minha tarefa.

Mas a Umbanda também é estudo. Estudo para se entender o porquê do caboclo gritar, o porquê do charuto do Exu ou da água e da vela tanto usadas pelos Pretos Velhos. Estudo para se entender a nossa fé.

E aí chegamos a juventude. E sua eterna sede pelo saber (ou ao menos assim deveria ser…).

É fraca a presença e a participação de jovens nos terreiros de Umbanda. Talvez por falta de informação ou até por vergonha de serem taxados de macumbeiros.

Por quê será que os jovens esperam envelhecer para adentrar em um terreiro e às vezes desencarnam jurando que são espíritas e não umbandistas?

Por quê o medo e a vergonha do jovem levantar a bandeira da Sagrada Umbanda? De agradecer a Zambi e desejar a paz de Oxalá?

Sei que a nomenclatura não importa. Seja Deus, Alá, Zambi… Mas porque não usar a nomenclatura própria da Umbanda? Será que é tão difícil o jovem lutar para desmistificar a Umbanda?

A Umbanda é uma religião aberta que permite diversas interpretações. E isso acaba dificultando o estudo.

Estudo para se entender o porquê do caboclo gritar, o porquê do charuto do Exu ou da água e da vela tanto usadas pelos Pretos- Velhos.

Às vezes a corrente que você segue no seu atual terreiro não será a corrente (de pensamento) que será no próximo.

Não existe uma “bíblia” explicitando a prática e os conceitos da Umbanda. Isso varia de terreiro pra terreiro. Mas será que a troca de experiências não nos auxiliaria a compreender melhor a Umbanda?

Não estou propondo aqui uma estilização da Umbanda. Uma unificação de culto. Não!

O que digo é, unirmo-nos em uma frente para acabar com o preconceito, com a falta de estudo e compreensão. E poder oferecer esclarecimento para todos que se interessam por essa linda religião.

Isso é dever de todo Umbandista! Mas deveria ser um desejo especial o jovem. Lutar pela justiça!

Quantas barreiras impostas a Umbanda já não foram quebradas por uma geração anterior a nossa? E o que a nossa geração faz? Nós somos o futuro da Umbanda! Seremos nós que escreveremos os próximos 100 anos de nossa história como religião. Assim como no início.

Ou será que esquecemos que foi um jovem o aparelho utilizado para a decodificação da Umbanda? E que são os jovens, os jovens de espírito principalmente, que lutaram e lutam para que a nossa religião seja respeitada.

A Umbanda é juventude! Juventude com seu desejo de se impor sem agredir. A juventude com sua vontade de buscar e compartilhar conhecimento.

Então, avante filhos de fé!

Vamos buscar. Vamos partilhar. Vamos vivenciar.

Vamos ser UMBANDA!

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Meu Pai, Minha Mãe…

 ImagemConstantemente médiuns ou umbandista novos me vem perguntar a respeito do Pai de Santo, qual sua real função, qual o tipo de tratamento ele deve receber e qual é o seu real objetivo dentro de uma casa de Umbanda, confesso que na maioria das vezes maquio muito a minha resposta para não parecer ignorante, ou retrógrado ou até mesmo moderno de mais, porém, hoje me dei conta de que uma grande parcela de ótimos médiuns e umbandistas verdadeiros deixaram nossa religião justamente por causa de seus líderes e acho importante então esclarecer o seu papel para que entendamos que nem sempre as coisas são o que parece. Em primeiro lugar qualquer sacerdote que seja nunca, nunca, nunca será maior que os seus filhos em se tratando de superioridade espiritual, será que isso realmente existe?, qualquer líder que se ache maior que os seus liderados não é digno de ter esse título o título de Pai então nem se fale, chamamos nossos zeladores de pai e mãe por que acreditamos que eles sejam justamente isso em se tratando de fé: pais e mães, por que? por que é missão dos progenitores guiar seus filhos e ensina-los os caminhos da vida. O seu Pai ou sua Mãe nunca poderá agir com você de uma maneira que os pais não ajam com seus filhos pois se isso acontecer ele não é seu pai nem sua mãe ele é simplesmente uma pessoa que quer sua presença para dar volume em sua casa, já me cansei de pessoas que vem até mim falar que seus “pais ou mães” disseram que eles iam se dar mal na vida se saíssem do terreiro, não entendo isso, pois, se a pessoa tiver realmente um sentimento de familia pelo médiun quando ele visse seu filho em perigo não iria reafirmar o risco mas sim tenta-lo ajudar a se safar. Não entendi ainda qual é o papel dos supostos zeladores que se sentam em suas “cadeiras de espaldas” e dali ficam a ditar regras e dizer que são o certo da terra por que são pai e não sei o que, meus irmãos, o sacerdote umbandista não é em nada maior que seus filhos, a já falecida Mãe Zilmeia,filha do fundador da Umbanda Zélio de Moraes cansou de dizer “a única diferença entre eu e os médiuns da corrente é que tenho algumas responsabilidades a mais que eles não possuem” basta dizer que nas primeiras casas de Umbanda, até hoje, não existe a famosa “cadeira do pai de santo” ficando o dirigente do trabalho em pé ou junto de seus filhos durante os ritos e nisso vemos o verdadeiro papel do Sacerdote Umbandista, aquele que se junta a sua familia espiritual ficando em pé com eles, chorando com eles, aprendendo com eles e crescendo com eles. Nessa minha pequena caminhada umbandista já vi de tudo que se possa imaginar em se tratando de zeladores: alguns que possuem casos afetivos com filhos, outros que mentem para segurar filhos em casa, outros que tiram de seus filhos o seu próprio sustento por que se acham privilegiados e não podem trabalhar, outros que não sabem nem o que é umbanda e se dizem donos da verdade, já vi até alguns que proíbem seus filhos de irem em outras casas, esses útimos, imagino eu, devem ter medo dos filhos descobrirem verdades em outros lugares que estão ocultas em sua casa por que eu não vejo motivo para “o pai proibir o filho de ver e conhecer os seus outros familiares” dizer que se proibe o filho de conhecer casas para que o mesmo não seja prejudicado espiritualmente é o mesmo que dizer que a pessoa não tem capacidade para ser zelador pois o papel do sacerdote é guiar, é ensinar a se proteger das energias negativas, dos maus espiritos e esses não estão só em terreiros estão em qualquer lugar até mesmo dentro da sua própria casa, ou seja,o correto não é proibir o filho de conhecer e sim ensina-lo a se proteger, acho que está mais que na hora dos famosos pais e mães pararem de ensinar as famosas “amarrações” e “destruições” para seus liderados e ensinar o que é bom de verdade,o que é Umbanda, o que é crescer.

 Se você frequenta uma casa aonde não se sente bem por causa das atitudes de seu Zelador não generalize o problema como sendo a Umbanda, conheça outras casas, outros sacerdotes e constate que o problema está no seu Zelador, ouça seu coração,se for preciso mude de casa mas não abandone essa maravilha divina chamada Umbanda. Como dizia Mahtma Gandhi:

 “ Admiro Cristo mas não admiro os cristãos, pois o Cristo vivia sem falar, e os cristãos falam sem viver”


Aos meus irmãos Axé.

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Desenvolvimento Mediunico na Umbanda

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Me lembro com uma riqueza de detalhes fora do normal das minhas primeiras giras na Umbanda, me lembro dos arrepios, dos pontos tocados, das tonturas, e me lembro também do conselho de um Preto Velho que foi fundamental em meu crescimento enquanto médium “… Se meu fio nun buscar, eles não vai vir…”  Naquela época era novo na religião e, por mais que quisesse, não consegui entender o que quis dizer o Velho para mim, porém, o tempo passou e hoje quando tenho que ajudar pessoas no desenvolvimento a simples frase me vem a mente só que dessa vez com um significado profundo e sábio. Todos nós somos médiuns, todos nós nascemos médiuns, a mediunidade é, na pura verdade, a faculdade natural que nos permite travar contatos com o mundo além da matéria, aquele que os nossos olhos físicos não conseguem ver, dessa maneira ela é algo que sempre existiu e que sempre vai existir, a pessoa pode não liga-la ao universo espiritualista mas ela continuará existindo. Continuar lendo

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A Rosa Vermelha de meu jardim

As pessoas que possuem contato direto comigo sabem o quanto levo á sério a minha religião, a Umbanda, por ela discuto e faço questão de ir até o fim, fico super decpecionado quando tenho que discutir sobre ela com umbandistas e claro, um assunto que sempre está a tona é Exu e Pomba Gira. Não entendí até hoje qual a razão pelo qual alguns irmãos teimam em ver mal na linha de esquerda, talvez seja pela maneira de manifestar (que é uma obrigação do zelador doutrinar) , ou talvez seja por que eles não tem vergonha de nos mostrar quem realmente somos, não sei, mas uma coisa temos que ter certeza: Exú e Pomba Gira são seres de presença muuuuuito importante em nossos trabalhos, não se faz nada sem Exú, ele é o verbo “fazer” em excelência, ele é a nossa guarda, é ele quem fica na porteira, é ele quem ordena a realização de trabalhos no astral, e o mais importante, ele é a segurança do terreiro e de seus filhos. As casas de Umbanda que não cultuam Exú ficam á mercê de ataques de seres inferiores, de trabalhos mandados por outros, e sem realizar o equilibrio das forças. EXÚ NÃO É DEMÔNIO. Continuar lendo

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Coisas do terreiro…

Era dia de sessão e como sempre Marcelo chegou na parte da manhã para fazer algo que amava, limpar o terreiro. O dia mal amanhecia e ele já pulava da cama, contente e feliz pela oportunidade de ser útil.

O silêncio do terreiro vazio o tranqüilizava. A empresa que ele trabalhava vinha atravessando sérios problemas e essa semana havia sido em especial desgastante, as demissões prometidas haviam começado. Ver colegas de trabalho, chefes de família serem demitidos o deixou muito tenso e entristecido, mas tal qual passe de mágica tudo isso ficou além do portão de entrada do terreiro. Era dia de gira e ele estava feliz novamente! Sabia que suas energias seriam repostas para enfrentar mais uma semana dura de trabalho. Ele não tinha obrigação de fazer isso, mas fazia porque sentia prazer e alegria, e gostava de ir cedo justamente para poder ficar sozinho e limpar tudo no seu ritmo. Não fazia isso para “aparecer”, como alguns diziam e pensavam, mas porque gostava de trabalhar sozinho. Continuar lendo

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