Na queima da pólvora a luz de Oxalá…

fundango_3 Saravá e luz aos meus irmãos umbandistas, ou não, que veêm no estudo um aliado potentissimo em nossa caminhada espiritual; faz um tempo que não escrevo aqui, as funções do dia a dia são tantas que as coisas importantes acabam dando lugar para outras menos importantes, porém, fazendo uma coisa de cada vez vamos arrumando um jeito de atender todo mundo.

Desde as minhas primeiras visitas aos Terreiros de Umbanda, quando a curiosidade misturada a vontade de aprender me faziam ficar atento a tudo e a todos, notei a presença de um elemento de trabalho que nunca tinha visto ser usado em outros cultos religiosos, na época me deram o nome de “fundanga”, porém, o costume sempre me fez chamar pelo nome convencional, pólvora; o tempo foi passando e a medida que isso acontecia percebi a ampla utilização da pólvora nas Casas Umbandistas, porém,notei também que poucas pessoas que passam por um “ponto de pólvora” ,como é conhecido, ou até mesmo muitos que fazem o mesmo nas pessoas sabem a força deste ato, seu significado e sua real finalidade em nossa religião, então, vamos lá…

Nada chamou mais a atenção do homem do que a descoberta do fogo, um poder que vinha direto do céu, na força de um raio e que podia ser espalhado tendo uma utilização benéfica ou maléfica de acordo com a necessidade do momento, foi uma descoberta que não se limitou a sua época mais que é sim hoje muito mais utilizada do que antes. O fogo é um elemento amplamente conhecido e utilizado em quase todos os segmentos religiosos do planeta terra, é usado em rituais, usado em textos sagrados, e usado também como forma de manifestação religiosa externa, o uso do fogo em práticas religiosas é muito antiga e nem se sabe ao certo a partir de quando, realmente, ele começou a ser utilizado de forma liturgica; Na África dos Orixás o fogo também é louvado no raio e no trovão (Xangô e Iansã) e em sua forma material que são as chamas (Exú e Ogum), em Cuba podemos ver ainda uma pratica chamada de “luz dos orixás” que se consiste em preparar com elementos religiosos distintos pertencentes a divindade cultuada o azeite que será utilizado em uma lamparina para que quando se acender o pavio em contato com o preparado a presença do fogo potencialize a força do Orixá no ambiente em que está aceso, enfim, não é preciso irmos muito longe para notar que o fogo tem sim um significado muito grande nas praticas afro-religiosas, e claro, na Umbanda não é diferente. Em nossa religião o fogo possui muitos significados e uso, é mais visto no uso das velas e na queima da pólvora. A vela representa a manutenção e afirmação de nossos pedidos e preces, daí vem a necessidade de sempre antes de a acendermos com fim religioso a segurarmos na mão fazendo nossos pedidos ou prece para que ela seja imantada com a nossa energia e assim que acesa seja um ponto de força para a realização do fim a que ela está sendo usada, independente do que seja, sem essa imantação a vela é simplesmente uma vela acesa para iluminar, já o uso da pólvora ao contrário da vela, tem uma utilização muito restrita dado o seu significado e periculosidade de uso; a pólvora antes de qualquer coisa é utilizada nos terreiros quando existe a necessidade de efetuar o desligamento de uma energia externa (espirito) com um ser encarnado, e para que esse desligamento aconteça é necessário que haja antes toda uma preparação, no plano espiritual e material, para que esse ato seja realmente realizado. Vamos utilizar um exemplo para simplificar: uma pessoa está passando por um processo de obsessão espiritual, o espirito obsessor está tão ligado a pessoa que a mesma não consegue mais distinguir entre aquilo que é seu e aquilo que é do espirito, e o espirito está tão ligada a pessoa obsdiada que consegue desiquilibrar todos os campos de sua vida impedindo assim que ela seja feliz e prossiga sua caminhada, pois bem, na primeira parte do trabalho, o que acontece geralmente com 7 ou 3 dias de antecedência, o Guia de luz que irá realizar o trabalho fará um descarrego na pessoa indicando a ela como deverá se portar até a próxima etapa, passando a ela as restrições necessárias para o bom andamento bem como também a aconselhará no sentido de mudança de vida e hábitos dela mesma que possibilitaram ao obsessor se achegar a ela pela lei da atração. Nos dias entre a primeira e última etapa do trabalho a pessoa diariamente tomará o banho indicado pelo Guia bem como fará suas preces no sentido de colaborar com os trabalhadores espirituais, enquanto isso no plano espiritual os espiritos do bem que auxiliam o Guia que dirige o trabalho estarão fazendo as limpezas necessárias na pessoa, nos ambientes de sua convivência e assim diminuindo a influência do obsessor sobre ela. No dia em que será realizada a queima, o médium chefe da Tenda, desde a manhã deve estar firmado em seus propósitos espirituais, imune de influências espirituais negatigas, e com seu corpo e espiritos limpos para que nada que parta dele possa prejudicar a conclusão do trabalho. No momento em que a pólvora é queimada sobre o ponto riscado, ela faz parte de uma perfeita junção dentro de um campo magnetico, enquanto as velas e o ponto riscado garantem em parte a presença dos mentores responsáveis por encaminhar o obsessor a queima da pólvora desiquilibrará o espirito obsessor possibilitando a sua retirada de perto e seu encaminhamento para tratamento espiritual ao mesmo tempo em que as larvas astrais se desgrudam da aura da pessoa que está sendo tratada e se desintegram na corrente elétrica provocada pela queima da pólvora; logo que a “tuia” é queimada o consulente deve rapidamente ser levado para que tome um banho de segurança e acenda uma vela ao Anjo de sua guarda. Como puderam ver, o trabalho com uso de pólvora deve ser usado somente em situações em que exista uma real necessidade de desligamento entre um espirito e uma pessoa, fora isso, a pólvora não é utilizada como descarrego, como muitos dizem, aliás, ela será usada como PARTE DE UM descarrego, se assim preferirem chamar um trbalho de desobsessão, no entanto não terá esse efeito caso seja usada isolada dos outros componentes do rito. Portanto, tenhamos muitooooo cuidado ao utilizarmos essa arma, pois, se não soubermos com quem estamos realmente lidando e se não estivermos munidos dos materias necessários e de uma real assistência espiritual o feitiço virará, literalmente, contra o feiticeiro. Antes de concluir vale lembrar que médiuns desenvolventes e mulheres em estado de limpeza interna nunca podem participar, ou auxiliar em trabalhos com uso de pólvora; o uso de pólvoras nos Terreiros deve ser acompanhado de uma pós-assistência aos médiuns que participaram do trabalho, pois, eles também desgastam sua força durante a queima; nunca o ponto de pólvora deve ser utilizado em médiuns sem que antes haja uma expressa autorização de seu guia chefe ou sem que o médium chefe tenha certeza absoluta da necessidade de seu uso; o ponto de pólvora deve OBRIGATORIAMENTE ser antecedido por dias de preparação (de 03 a 07) do consulente e do médium que, incorporado ou não, dirigirá o trabalho; trabalhos de descarrego-desobsessão com uso de pólvoras devem acontecer sempre nas horas existentes entre o nascer do sol e ás 23:30 sendo o tempo restante horário não propicio; sempre a pólvora deve ser queimada a uma distância de 30 cm no minimo do consulente para que não venha causar danos a sua aura. Como sempre falo, Umbanda é coisa séria para gente séria, não é a simples queima de uma pólvora que muitas pessoas cobram valores exorbitantes por aí para fazerem, que mudará a vida das pessoas, o que vai fazer a difernça mesmo será o desejo real da pessoa mudar aliada aos recursos que dispomos em nossos cultos sendo utilizados por pessoas capacitadas realmente para tal, pois, como diz o ponto ” Só queima fundanga quem pode queimar, meu ponto é seguro não pode falhar”. Luz e Paz.

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