Orixás, Voduns e Nkissis

 

Nos últimos anos temos visto uma grande maioria de casas, centros que anexam ao culto umbandista o culto aos Orixás africanos, o Candomblé; Quando questionados a respeito da “umbandomblé” as lideranças umbandistas se dividem em opiniões, alguns contra, outros a favor, eu particularmente acredito que são religiões distintas, com foco e trabalho, definitivamente, muito diferente um do outro. Enquanto a Umbanda acredita no crescimento espiritual fundamentado na prática das 3 virtudes maiores que são a fé, a esperança e a caridade, o culto africano acredita no crescimento fundamentado no trabalho pessoal de melhoria com auxilio nos mitos vividos pelos Orixás da pessoa e as indicações decorrentes do sistema de Ifá; o foco umbandista é colocado no plural enquanto que o candomblecista é posto no singular, o orixá e a pessoa e não os orixás e as pessoas, porém, de qualquer jeito se tratando de qualquer rito, acredito que o importante é o crescimento espiritual e não a maneira como a pessoa opta por seguir rumo a esse fim. A Umbanda, todos sabemos, recebeu marcantes contribuições do Candomblé em seus ritos como por exemplo o uso de instrumentos de percussão (por algumas casas apenas), o uso de oferendas, o uso de colares ritualisticos, entre outros vários impossíveis de se enumerar visto que cada casa segue um rito diferente das outras; uma contribuição do culto africano que é aceito por todas as casas umbandistas, ao menos ainda não conheci nem ouvi falar de uma que não os cultue, é a presença dos Orixás. A Umbanda cultua originalmente somente 7 Orixás dos 16 cultuados pela maioria das casas Candomblecistas, 7 Orixás estes que são as 7 vibrações naturais ou as 7 linhas de Umbanda. Esses 7 Orixás a Umbanda recebeu do culto da nação de Ketú ou Alaketú visto que os Orixás são cultuados somente por essa nação, como assim?, temos no Brasil 3 nações de culto africano (na verdade existem outras mas essas são as mais conhecidas) que vieram de regiões distintas da África, as 3 nações são iguais no culto aos ancestrais mas muito diferentes no que diz respeito aos ancestrais cultuados e a maneira de os cultuar.

A nação de Ketú cultua os ORIXÁS.

A nação de Angola cultua os NKISSI.

A nação de Jeje Mahi cultua os VODUNS.

O Orixá Rei da nação Ketú é OXOSSI.

O Nkissi Rei da nação de Angola é KITEMBÚ.

O Vodun Rei da nação de Jeje é DAN.

Oxossi é o Orixá das matas.

Kitembú, ou Tempú, é o Nkissi do tempo.

Dan é o Vodun da transformação.

Por essas minimas e básicas caracteristicas percebemos o quanto as nações são diferentes uma da outras, assim vemos que Orixá é uma coisa, Vodun é outra, e Nkissi é outra tão diferente quanto as demais, podem se parecer mas não são a mesma energia. A Umbanda cultua os Orixás da nação Ketú, para nós o Orixá não é um deus como é para os cultos de matriz africana, para nós o Orixá é a representação, a corporificação, e o nome que damos ao poder divino em um campo da natureza, quando a Umbanda canta ou cultua Ogum, por exemplo, ela está na verdade louvando o Divino Ser em sua manifestação nos caminhos da terra, louvando o Poder Divino que é mais forte que o ferro e fonte de todo conhecimento necessário para nossa evolução (tecnologia) e á essa manifestação de Deus nos caminhos, no ferro, na tecnologia damos o nome de Ogum; quando estamos saudando o Orixá Oxossi estamos na verdade louvando Deus e a sua manifestação nas matas, manifestação essa a que chamamos de Oxossi, aquele que caça com uma flecha só, aquele que guarda o segredo das matas e provê o necessário para a sobrevivência. Na Umbanda não raspamos cabeça nem tampouco somos iniciados para o Orixá, DEFINITIVAMENTE SEM EXCESSÕES,  por que acreditamos que sendo filhos do Poder Divino fazemos parte da manifestação natural de seu poder: sou filho da Natureza Divina das matas, sou filho de Oxossi, pois, tenho dentro de mim a caracteristica e o desejo de ser provedor, de trazer o alimento; sou filho da Natureza Divina das águas doces, sou filho de Oxum, pois, tenho dentro de mim a caracteristica e o desejo de ser a materialização do amor, do sentimento, da intensidade, da calma, e daí por diante. Nascemos filhos deles, assim quando nascemos já viemos com eles, filhos de Orixás todos somos visto que somos todos filhos de Deus, filhos da Natureza Divina. Portanto, independentemente do ancestral cultuado, a nação escolhida, Umbanda ou Candomblé, acredito que o importante é aprender com eles, tentar entrar em contato com o Poder Divino nos campos naturais que eles representam, pois é essa a função e o motivo de o Caboclo das Sete Encruzilhadas ter adicionado ao Culto Umbandista os Orixás, eles não estão em nossa religião para ser deuses nem tampouco “pedir cabeças” estão sim para nos mostrar quão grande é o poder de Deus e as infinitas e maravilhosas formas desse poder se manifestar, a partir do momento em que se toma conhecimento do Orixá mais próximo da pessoa acabamos por descobrir qual o reino da natureza em que aquela pessoa conseguirá ter uma intimidade espiritual maior, a sua personalidade que em muito tem a ver com o reino natural a que é ligado e os cuidados que o líder espiritual ou Sacerdote irá ter com ela em especial, porém, é de suma importância frisar que a Umbanda possui um rito próprio não precisando o umbandista cumprir obrigações, raspar cabeça, fazer bori e nehuma outra espécie de rito ou prática de outro culto para estar ligado ao seu Orixá, pois, como acabei de mostrar a visão umbandista bem como seus ritos são diferentes, e muito, do pertencente ás nações, além do mais se dizer filho de Orixá é muito fácil, o dificil e necessário é ser e ter aquilo que eles realmente representam em sua mais pura essência para nós.

Luz e Paz.   

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