Arquivo mensal: dezembro 2012

Linha e arquetipo dos Caboclos

Ditado por Sr. Caboclo Tupinambá
Num tempo distante, milenar, habitou nas terras sagradas deste Brasil exuberante um povo até hoje mal compreendido, interpretado pela vã concepção daqueles que aportaram nesta terra com o único interesse de consumir e apoderar-se da riqueza natural até então existente tão bem tratada por milênios pelo povo anônimo que era parte da fauna e da flora, que não se dissociava do meio que vivia, pois entendia que era parte do todo e sendo assim devia reverências e preservação.
Este povo colhia somente o necessário para o alimento, caçava para o alimento e também era caçado na forma de alimento, um ecossistema perfeito, natural.
Dotados de inteligência, pois esta é a condição humana, ainda que se movimentassem mais pela intuição e instinto, sabiam pela razão que não poderiam esgotar a vida por onde passassem, sendo assim quando uma clareira abrigava uma tribo e num determinado momento a vida ao redor se apresentava escassa, por respeito levantava-se acampamento para habitar em nova região permitindo que a natureza ali pudesse se recompor, desta forma não agrediam sua terra, sagrada.
“Gigante pela própria natureza…” esta sagrada terra outrora imponente nos fazia pensar que jamais se esgotaria e veja você…
Este povo que por mérito e benção Divina que aqui habitou são os índios, que foram extraídos de sua natureza, até a alma perdeu, assim ditou senhores da fé, disseram que nós não éramos dotados de alma e fincando a primeira espada a beira-mar, aliás chamavam esta espada de Cruz, de fato seu formato era uma cruz, mas saibam, era uma espada, pois quando fincada nesta terra, dela verteu sangue e como uma fonte inesgotável, observe, até hoje os poros desta terra expelem e absorvem sangue…
Mas isto é outra história! Continuar lendo

Caridade

Hoje fomos acordados com uma maravilhosa chuva, linda, que embora impedisse que o sol brilhasse da maneira como estamos acostumados em Cuiabá fez com que nos sentissemos em casa, em casa também me senti no dia de ontem quando eu e o companheiro de sempre André Lucas Souza fomos visitar, a convite, a casa de Guaraci de Oxossi na região do Sucurí podendo participar de um trabalho tão bonito e fundamentado; fico profundamente agradecido pelas palavras de apoio e força dadas pelo Guardião da Casa e peço, mais uma vez, que Deus dê a todo o seu povo muita luz e paz. Ver o Guardião dando tantos conselhos para as pessoas me fez pensar em como a caridade feita de qualquer forma, em qualquer lugar, por qualquer pessoa constrói fortalezas e derruba as muralhas, fortaleza por que nos faz sentir seguros de nossa missão e da recompensa da mesma. A Umbanda é uma religião de caridade, na maioria das vezes as correntes religiosas apresentam uma maneira de crer e evangelizar um pouco anti-caritativas digo assim por que por todas as que conhecí e frequentei ouvia mais falar da libertação, das prisões espirituais quando não também do demônio do que o trabalho interno de evolução, e crescimento espiritual. Não adianta somente ler a Bíblia, não adianta somente orar, a nossa conversão, que prefiro chamar de evolução, é constante e frequente e ela não se baseia somente na leitura da Palavra pois se fosse somente isso não haveria necessidade da encarnação de Cristo mas não, ELE VEIO PARA NOS MOSTRAR QUE NÃO BASTA CRER, TEM QUE TRABALHAR, temos que colocar a mão na massa literalmente, o povo israelita lia a palavra de seu Deus (pêntateuco= torah) e colocava tudo em prática: Continuar lendo

Refletindo a umbanda

Yutomi* – O Caravaneiro do Umbral
Médium Pai Norberto Peixoto
Dirigente da Choupana do Caboclo Pery
(terreiro filiado ao CECP)
Refletir a Umbanda compartilhando conceitos com os prosélitos umbandistas se torna complexo porque, no universo ritualístico externo, e no mais das vezes no interno, dado a diversidade do mundo espiritual, a legitimidade daquele que fala ou escreve sempre é questionada.
Esta situação leva a uma inibição de muitas lideranças, que poderiam participar mais ativamente da porta de entrada dos terreiros para fora, para a sociedade, se unindo a outros terreiros, não somente para dentro, para o público assistente e corpo mediúnico. Continuar lendo

A lira está firmada e a gira vai começar…

A Mãe de Santo Cacilda de Assis foi um dos médiuns mais polêmicos da história da religião brasileira, graças ao Exu que lhe assistia. Aos 13 anos de idade recebeu pela primeira vez o “Seu” Sete Rei da Lira, o qual foi assentado em 13 de junho de 1938, aos 15 anos, quando Cacilda recebeu sua iniciação de seu Pai, Benedito Galdino do Congo, em Coroa Grande, próximo da conhecidíssima Itacuruçá, no Rio de Janeiro (local onde funcionou um outro importantíssimo terreiro da história das religiões brasileiras). Ela também trabalhava com a Pomba Gira Audara Maria.
Mãe Cacilda de Assis em seu programa de rádio
O Rei da Lira se apresenta como Exu, muito embora suas características originais o liguem mais ao mundo da encantaria, onde é conhecido como Sete Rei da Lira, José das Sete Liras ou o Rei das Sete Liras. Poucos conhecem a sua história como encantado, que começa na Idade Média e vai até a sua reencarnação no século dezenove. Na Espanha Medieval, havia um casal: Caio e Zelinda. Caio era um descendente de gregos, que tocava e fabricava instrumentos musicais, especialmente liras. Zelinda era uma bela negra africana, que escondida dos poderosos da época, fazia rituais mágicos.
Tiveram um filho chamado José, que era muito inteligente e tocava instrumentos como ninguém. O garoto herdou do pai o gosto para tocar e fabricar liras, das quais construía 7 diferentes modelos. Da mãe herdou os poderes paranormais: curava pessoas doentes, movia objetos com o olhar, tinha sonhos premonitórios, via a aura das pessoas etc. Na adolescência, conta a lenda que o garoto passou a incorporar espíritos enquanto tocava e uma destas almas seria a do bíblico Rei Davi. Por fazer muito sucesso com as mulheres, um marido ciumento entregou-o para os representantes da igreja, acusando José das Sete Liras de bruxaria. Foi queimado na fogueira pela Inquisição.
Seu Sete da lira trabalhando
A fama do Exu Sete Rei da Lira que baixava em Mãe Cacilda começou a crescer rapidamente devido à característica inusitada de suas giras – onde todo tipo de música poderia ser cantada e tocada – e no uso impressionante da ingestão de vários litros e litros de “marafo”, além da roupa ritualística bordada em veludo preto, botas, capas e cartola. Quem presenciou a manifestação deste espírito se impressionou com o magnetismo e com a capacidade de movimentação das pessoas que acorriam ao seu templo, em Santíssimo, um bairro do Rio de Janeiro. Corriam as notícias de boca a boca, dos casos de cura de doenças gravíssimas etc e rapidamente a gira de seu Sete chegou à marca impressionante de mais de cinco mil pessoas por rito.
Compositora e escritora, Mãe Cacilda tinha um programa na Rádio Metropolitana de Inhaúma e o caso é que a fama de seu 7 se espalhou tanto que artistas como Tim Maia, Freddie Mercury e o grupo Kiss estiveram por lá sabe-se lá por qual razão, até que um dia alguém foi até o terreiro e desafiou o Exu a baixar em rede nacional. Ao contrário do que se esperava, o seu Sete concordou e foi aí que o “dendê ferveu”! Continuar lendo