Arquivo mensal: agosto 2012

Agosto

O mes de agosto e bem conhecido no meio umbandista por ser o mes em que se celebra os Exus e conjuntamente as Pomba Giras. Ao contrario do que muitos pensam essas entidades sao de fundamental importancia nos trabalhos umbandistas, pois, a eles cabe a segurança do trabalho em toda sua complexidade. Infelizmente na maioria das vezes Exu e confundido com o diabo cristao, (figura essa inexistente nos cultos de raiz afro, ao menos da maneira como se concebe no cristianismo) o que acaba causando uma certa mistificaçao tanto nos mediuns desprovidos de conhecimento como tambem as casas de artigos religiosos que comercializam estatuas representando essas entidades de forma deformada, com rabo e patas, chifres, etc. Hoje, graças a evoluçao que deve existir em tudo, sabemos que Exu nao e isso, Exu e um ser de eximia confiança dos mais altos chefes legionarios espirituais tanto que a ele e entregue a segurança (quem colocaria para proteger os seus uma pessoa que se vende por uma garrafa de bebida, na maioria das vezes das mais baratas…). Sou um apaixonado por essas entidades e fico profundamente triste quando vejo pessoas que sem base alguma cometem o erro de afirmar coisas absurdas a respeito delas, pois, so quem deles precisou sabe na verdade quem eles sao. Existem muitas, muitas coisas para se falar, estudar e descobrir a respeito desta falange tao bonita, aos poucos descobriremos e aprenderemos. Cientes de que todos possuem o seu Guardiao ou a sua Moça Vigia seria uma otima experiencia pessoal fazer uma oferenda a eles nesse mes, pode ser uma oferenda simples desde que seja de coraçao. As oferendas ou presentes nao sao nenhuma forma de idolatria, e como se fossem as rosas que se leva a um ente querido, ou as velas e os ex votos entregues aos santos em suas igrejas, porem, quando oferecidas para as entidades acaba possuindo um fundamento particular que e nitido aos que oferendam. Laroye.
Anúncios

A falange dos Malandros e Malandras na Umbanda

A Umbanda, como o proprio nome ja diz, e uma religiao que une varias bandas, os grupos e suas diferenças sao todos bem recebidos, pois como diz a escritura ninguem e tao pobre que nao tenha nada para dar, ao contrario da maioria dos segmentos religiosos existentes a Umbanda nao so recebe esses grupos como tambem da a eles liberdade na forma de trabalho a ser utilizada desde que os mesmos nao inflijam ou fujam dos 3 pilares principais da doutrina umbandista que e a pratica da fe, da esperança e da caridade, assim sendo, a medida que que nos aprofundamos no estudo e conhecimento das bandas de trabalho na Umbanda nos deparamos com uma lista extensa de falanges que vao de crianças a eguns, da direita a esquerda, do oriente ao ocidente, da conhecida benzeçao as tecnicas magisticas dos povos do oriente, da pajelança indigena ao passe mediunico europeu, todos com o unico intuito de praticar a caridade.
O Brasil, talvez, por ser um pais muito rico em culturas diferentes, ofereceu uma quantidade consideravel de falanges para a Umbanda, entre elas se destacam os Pretos Velhos e os caboclos, como a Umbanda tambem absorveu grupos que ja existiam em outras correntes espiritualistas muito antes de ela ser fundada. Um exemplo claro disso e a presença do Mestre Catimbozeiro Ze Pelintra nos terreiros umbandistas. Ze Pelintra e uma entidade muito conhecida no Nordeste do pais, e uma entidade conhecida, popularmente, como sendo um malandro, o sentido da palavra malandro se referindo a Ze Pelintra e o mesmo que bon vivat, boemio, ele nao e malandro so por que faz malandragens mas tambem por que a sua vida e vivida de forma malandra ( festas, bares, mulheres, etc). Ha de se considerar tambem que o sentido da palavra malandro hoje nao e o mesmo que do seculo passado muda-se a sociedade, mudam- se os cidadaos. Seu Ze, como e chamado pelos intimos, era nordestino, alguns dizem ser do Ceara ( … ele vem de longe, vem do Ceara, ele e Ze pelintra, chegou para trabalhar… ), outros Alagoas (… quando vir de Alagoas, toma cuidado com o balanço da canoa… ), de familia pobre conheceu bem cedo as pilantragens para prover a sua subsistencia, conheceu de perto a vida das periferias, sofreu a discrimançao por ser migrante, de tao bonito que era se envolveu com muitas mulheres, apos seu desencarne deichou criado um estereotipo que serviu de inspiraçao para Walter Elias Disney criar o personagem Ze Carioca que , so de longe, lembra Ze Pelintra. Seu Ze e uma figura antiga no Catimbo, porem, a linha da malandragem como temos na Umbanda nao, talvez por ela ser uma falange que nasceu na Umbanda, ou seja, e recente. Enquanto no Catimbo e conhecido somente Ze Pelintra na Umbanda ja se conhecem varias entidades que assim se indentificam ( Ze Pelintra Advogado, Ze Pelintra Enganador, Ze Pelintra do Bar, Ze Pelintra Namorador, Ze Pelintra do Morro, etc ) , junto dos homens vem tambem as mulheres conhecidas como Malandras (Maria Navalha, Maria Sete Leguas, Maria do Pente Fino, etc ) vem as jovens conhecidas como Malandrinhas ( Malandrinha da Rosa, Malandrinha do Morro Alto, etc ) como tambem os jovens conhecidos como Malandrinhos. Se referindo aos Malandrinhos e as Malandrinhas ha de se saber que O Malandrinho é uma das Entidades mais novas nos Terreiros de Umbanda. A origem desta falange está associada, como se disse, aos ‘discípulos’ de Zé Pelintra, no entanto, ele (o Malandrinho) nada tem a ver com Zé Pelintra, a não ser algumas semelhanças tais como: gosto pela boemia, os jogos, as mulheres (que tratam como rainhas) e a sabedoria de lidar com os problemas da vida e como sair deles. As Entidades que compõe esta falange são na sua maioria, Espíritos que viveram na sua última encarnação, situações de abandono familiar, e, não tendo como sobreviverem, fizeram da rua, a sua morada, nela aprenderam a sobreviver e a se proteger. Alguns se tornaram ‘experts’ em jogos de azar como baralho, dados, ‘porrinha’ etc. Outros trabalharam em Cabarés, onde eram muito paparicados pelas ‘meninas’, que eles defendiam com unhas e dentes. E tem ainda aqueles que se tornaram ‘contadores de estórias’. Em troca de algumas doses de bebidas, cigarros e alguns trocados, contavam casos que tiravam da sua própria imaginação ou ainda situações que viveram. Malandrinho é uma Entidade alegre, extrovertida, defensor dos mais fracos e principalmente dos desregrados. À esses, ensina que malandragem não é vadiagem. E sim, a arte de saber viver com ética e responsabilidade: O que se faz, deve fazer bem feito, caso contrário, vai pagar pelo erro. Não gosta de enganar as pessoas de bom coração. Mas com aquelas que se julgam muito espertas, ele ta sempre dando uma ‘rasteira’. Gosta de ouvir os problemas das pessoas que o procuram. Apesar de sua aparência jocosa, está sempre voltado à prática da caridade e da evolução espiritual de seus médiuns. Em suas incorporações gosta de roupas leves e sem formalidades. As camisas estão sempre pra fora da calça. Se usar gravata, vai estar sempre com o nó afrouxado. Ou seja: ele gosta de se sentir livre para dançar e cantar em suas incorporações.  As cores das roupas são sempre em tons fortes ou estampadas. Sua bebida geralmente é a cachaça. Mas vemos em alguns Terreiros de Umbanda, Malandrinho bebendo cerveja ou batidas de limão (limãozinho). Geralmente está sempre descalço, pois gosta de sentir o chão que pisa. Em geral, todas estas entidades a exemplo do Patrono, tiveram em sua existencia alguma forma de contato com a vida dos morros, da periferia, ou talvez passaram por situaçoes que se assemelham ou tenham ligaçoes com essas situaçoes, outros nao passaram por similares mas escolheram essa linha de trabalho por se sinpatizarem com ela. Nao se deve, nunca, confundir as falanges de trabalho de Sao Cipriano com a falange dos Malandros e Malandras, a linha de Sao Cipriano e uma linha de direita enquanto a dos Malandros ja e de esquerda, o que acontece e que em muitas casas a entidade Ze Pelintra, eximio representante dessa linha, e evocado em trabalhos liderados por entidades de energia diferentes promovendo assim aquilo que se chama de Cruzamento de linhas, porem, quando isso ocorre as energias presentes nao perdem sua autonomia, somente unem forças com uma finalidade ( A B AB). Sendo uma linha de esquerda os Malandros sao invocados em casos ligados as nossas necessidades fisicas e materiais. Problemas amorosos, financeiros, empregos, causas judiciais, familiares, ou somente uma conversa amiga sao motivos e causas levados constantemente a essas entidades. Por possuirem uma energia muito ligada a materia suas oferendas sao em sua maioria pratos consumidos em bares e botequins, lugares aonde, alem das estradas, eles tambem  recebem as suas oferendas. Assim pode-se oferer quitutes como salgados, salaminhos, bacon, jilo enpanado frito, sardinha frita, farofa com linguiça, carne seca assada na brasa ou frita, etc. As bebidas poderao ser cachaça, cerveja e em alguns casos licores. As oferendas nunca poderao ser deichadas em igrejas, cemiterios, ou campos, pois esses lugares sao pontos de força de outras energias. As velas usadas sao em sua maioria brancas e vermelhas o branco simbolizando a evoluçao almejada, e o vermelho os desejos e prazeres, dores e sofrimentos vividos na terra. Como todas as outras entidades da Umbanda os Malandros podem pedir aos seus mediuns e consulentes alguns objetos (cartolas, cachimbos, bengalas, navalhas, perfumes, etc ) desde que tenha um porque e nao acabe se tornando uma forma de mistificaçao esses objetos podem ser usados pelas entidades em seus trabalhos quando manifestados.
A mensagem trazida pelos Malandros e pelas Malandras as Casas Umbandistas e a do equilibrio,tudo em todas as existencias deve ser equilibrado. Nao e problema ir a festas, bares nem sequer tambem fazer uso de bebidas alcoolicas, o problema esta na maneira como se frequenta ou se usa e as consequencias dos mesmos. Muitos dos problemas da maioria dos consulentes dessas entidades sao resultado de uma vida desregrada e sem limites onde o desiquilibrio marca e causa o mal nao so para a pessoa em si como tambem para os que estao ao seu redor. Tudo, a todos, e permitido, porem, nem tudo convem. Que a historia e o trabalho dos Malandros e das Malandras sirva de exemplo e seja a luz do fim do tunel na vida de tantos e tantas que precisam.