Arquivo mensal: fevereiro 2012

A Quaresma e a Umbanda

Que as bençãos divinas seja sobre todos vocês leitores. Sabemos que a Umbanda, por ser uma religião genuinamente brasileira, recebeu influências incontestáveis da Igreja Católica Romana. Essas contribuições, em sua maioria, não foram colocadas pelos guias e mentores e sim pelo pelos adeptos do culto que vendo o ato da defumação, por exemplo, logo arranjaram um turíbulo católico para ser usado nos terreiros, adeptos que vendo a existência do altar nas casas umbandistas (congá) logo começam a prepara-lo como os altares que se viam nas igrejas e daí por diante. Além das contribuições litúrgicas, como as acima citadas, a Umbanda preservou também algumas festas católicas, ora pelo sincretismo feito com alguns santos festejados, ou pela importância daquela data na fé do povo que frequentava a missa de manhã e o terreiro a noite. Uma celebração romana que possui um profundo significado na Umbanda é a quaresma; Entende-se por quaresma os 40 dias que antecedem a páscoa cristã. Ela se inicia na quarta feira de cinzas após o carnaval, geralmente os centros e casa mais antigos e tradicionais “fecham” ou encerram os trabalhos do terreiro uma semana antes do carnaval e o reabrem na semana que se segue após a quarta feira de cinzas. Durante a quaresma, que é um período de contemplação, meditação e penitências, as entidades que se manifestam com mais frequência durante o ano diminuem a sua participação espírito-física para dar lugar ás entidades que menos se manifestaram, por exemplo: se o comum da casa é invocar os Caboclos de pena, na quaresma se invocam os Caboclos de couro; se durante o ano participam com mais frequência Pretos Velhos de Aruanda, Angola, da direita branca enfim, na quaresma se irá invocar os Pretos Velhos quibandeiros, fazendo assim com que todas as entidades que participam da casa não terminem o ano sem uma oportunidade de manifestação. Durante essa quarentena os chefes de terreiro são instigados á passarem aos seus filhos a importância da oração, do recolhimento para que haja um encontro pessoal de cada um com a energia divina, para que cada um compreenda a missão á que foi enviado(a) bem como usar do período para cultivar um relacionamento de intimidade com os guias e mentores que o acompanham. No final da Quaresma nos deparamos com a Semana Santa, a semana em que toda a orbe cristã recorda o sofrimento do Cristo; enquanto as igrejas realizam suas celebrações os umbandistas realizam o seu Trabalho de Mata, um retiro quase obrigatório onde se deve buscar a energização íntima em contato com a natureza. Para se ter uma noção da importância dos trabalhos de mata realizados na quinta e sexta feira santas para a umbanda vale lembrar que a conclusão real dos trabalhos da casa não acontecem no final do ano e sim no trabalho de quinta e sexta feira, pois, é ali que são feitos os agradecimentos pelo acompanhamento e ajudas espirituais bem como se recarrega as forças com banhos, oferendas e obrigações. Cada umbandista é convidado a celebrar a sua própria quaresma, não somente como recordação do sofrimento de Cristo mas também como um período de crescimento pessoal, um retiro íntimo. Geralmente passamos o ano inteiro trabalhando para as pessoas, descarregando aqui, benzendo ali, rezando aqui, que acabamos nos esquecendo de nossa própria limpeza e aprendizagem, bem, aí está a oportunidade, não limite os seus conhecimentos ao dos outros, tenha você mesmo suas próprias experiências.

Axé…

A história da Umbanda

No primeiro post de nosso blog não poderíamos falar de outra coisa senão a história da Umbanda; para isso apresentaremos esta gravação onde Zélio de Moraes conta como aconteceram as primeiras manifestações do Caboclo das 7 encruzilhadas em 1908. Essa gravação foi feita em 1971 por Lilia Ribeiro na Tenda Nossa Senhora da Piedade em Niterói- RJ quando a Umbanda completava 63 anos. Tal entrevista foi transcrita por Jota Alves de Oliveira no livro “Umbanda cristã e brasileira” e por vários outros autores de respeito. Ao iniciar a gravação, podemos ouvir o cântico de chegada do Caboclo das 7 encruzilhadas, Mentor Espiritual de Zélio, Caboclo que recebeu a missão divina de trazer á luz do conhecimento essa doutrina tão linda chamada Umbanda. Vale ressaltar que Zélio fala, no início desta gravação, na terceira pessoa do singular, pois estava mediunizado, todavia o Caboclo logo passa a se manifestar fazendo com que o médium fale em primeira pessoa (psicofonia) e em retórica perfeita expõe o potencial de sua mensagem de fé, amor e caridade, também descrevendo a história de nossa querida religião genuinamente brasileira. Axé.